Prefeitura de Bonito revoga suspensão e restabelece pagamento de servidora investigada na Operação Águas Turvas
A Prefeitura de Bonito publicou, na última terça-feira (25), a Portaria nº 914/2025-RH, que revoga a suspensão de pagamento da servidora Luciane Cíntia Pazzete, presa recentemente na Operação Águas Turvas, deflagrada pela GAECO para investigar suspeitas de fraudes em licitações e possíveis esquemas de corrupção dentro da administração municipal de Bonito.
Luciane, Assistente Administrativa da Secretaria Municipal de Administração e Finanças e chefe do departamento de licitações, foi alvo da operação que apura irregularidades em contratos públicos e desvio de recursos. Apesar de estar no centro das investigações, a nova portaria assinada pelo prefeito Josmail Rodrigues determina que a suspensão imposta no início de novembro seja anulada, restabelecendo oficialmente sua remuneração.
A decisão se baseia no Parecer Jurídico nº 15/2025, que não teve seu conteúdo detalhado publicamente, mas que orientou o Executivo a revogar a penalidade. O documento passa a valer a partir de sua afixação no átrio do Poder Público Municipal e produz efeitos imediatos a partir de 25 de novembro de 2025.
Um gesto controverso em um momento delicado
A revogação do corte de pagamento de uma servidora presa por suspeita de envolvimento em um esquema milionário de corrupção levanta sérios questionamentos sobre as prioridades e critérios adotados pela administração municipal. Em um momento em que a população enfrenta dificuldades, e aumento de cobranças — como a recém-anunciada taxa ambiental —, a decisão de restabelecer o pagamento a uma investigada por fraudes soa, no mínimo, contraditória.
A medida expõe uma clara incoerência: enquanto o município discute a necessidade de arrecadar mais recursos e aperta o cerco sobre a população e o trade turístico, demonstra flexibilidade surpreendente ao beneficiar quem é apontado como participante de esquemas que justamente retiram dinheiro dos cofres públicos.
Falta de transparência preocupa
O parecer jurídico que fundamenta a decisão não foi amplamente divulgado, o que reforça a sensação de falta de transparência em um caso que, por sua gravidade, deveria ser tratado com absoluta clareza e responsabilidade.
Por fim, a população de Bonito observa mais um capítulo que reforça a desconfiança na gestão pública e aumenta a cobrança por explicações consistentes. Em um município que depende da confiança e da credibilidade para manter sua economia ativa, decisões como essa afetam não apenas a imagem da administração, mas todo o sentimento de justiça e coerência que a sociedade espera de seus representantes.


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