Vai retroceder’: fim de exigência de autoescolas para obter CNH gera debate em Campo Grande

Enquanto uns acreditam que proposta vai aumentar o risco de acidentes no trânsito, outros defendem que a agilidade contribuirá para o processo

Vai retroceder’: fim de exigência de autoescolas para obter CNH gera debate em Campo Grande
Medida prevê que o candidato poderá escolher como se preparar para os exames. (Foto: Henrique Arakaki)

Após o  sinalizar a possibilidade de emitir a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) sem necessidade de aulas obrigatórias oferecidas por autoescolas, o assunto tem sido discutido no Brasil afora. Como qualquer situação, todo mundo tem uma opinião a respeito — mas a proposta tem gerado debates tanto contra quanto a favor.

Basicamente, a iniciativa prevê que o candidato poderá escolher como se preparar para os exames, o que também reduziria os custos para a emissão do documento. Apesar de a proposta representar economia e agilidade para muitos, existem pessoas que desacreditam que a medida será vantajosa, na prática.

Ailton Oliveira se enquadra na parcela da população contra o fim da exigência. O vendedor já tem CNH e aprendeu a dirigir na autoescola, para não ter ‘vícios’ de direção. Além disso, acredita que a medida pode significar um retrocesso devido à imprudência de condutores, que já ocorre mesmo com a obrigatoriedade de aulas práticas.

“Eu acho que vai retroceder. Eu sei que é caro, mas, com a autoescola, já tem muito motorista imprudente; sem a autoescola, vai piorar as coisas. Acho que é para arrecadar mais, porque o povo vai estar sem saber muito das aulas teóricas, a placa, a legislação de trânsito. Vai acabar sendo imprudente e vai gerar multa, vai gerar mais imposto. Não vai pagar a aula, mas vai acabar pagando de outra forma”, relata.

Ailton Oliveira tem CNH e aprendeu a dirigir durante as aulas obrigatórias oferecidas pela autoescola. (Foto: Henique Arakaki)

Já para Andriele Reinoso, o custo não vai sair do bolso como impostos ou multas. Para a vendedora, a não obrigatoriedade das aulas de direção contribui para que ocorram mais acidentes de trânsito, gerando riscos à vida da população.

“Eu acho que, se a gente soltar o carro ou a moto na minha mão mesmo, eu atropelo uns 20. Para mim, a pessoa teria que fazer as aulas certinhas, mesmo, e pegar sua CNH legalizada. A vida da gente não tem preço”, comenta.

Para Andriele Reinoso, a proposta aumenta o risco de acidentes de trânsito.
(Foto: Henrique Arakaki)

‘Não tem necessidade de autoescola’

Enquanto tem quem ache que a ideia será prejudicial, outros moradores de  enxergam a proposta positivamente. Manoel de Souza é comerciante e relata que já sabia dirigir antes de dar início ao processo de emissão da CNH, posicionando-se a favor do fim da obrigatoriedade das aulas.

“Autoescola é bom, porque educa, você aprende; mas, se você já tem a prática, não tem necessidade de autoescola. Facilita financeiramente e você não perde tanto tempo. Sem você saber dirigir, fica muito difícil, porque só na autoescola não é fácil.”

Manoel de Souza já sabia dirigir antes de ingressar na autoescola e acredita que a medida
irá beneficiar o público. (Foto: Henrique Arakaki)

Assim como Manoel, Jerônimo Pereira é aposentado e acha que a proposta facilita a emissão do documento, mas é importante que os condutores sejam prudentes e dirijam dentro da lei. Ainda, a redução do valor até motiva Manoel a tirar a CNH futuramente. “Eu me interesso muito. Inclusive, eu estou até esperando se a causa entrar em vigor mesmo.”

Jerônimo Pereira não tem CNH e vê na proposta uma oportunidade de adquirir o
documento. (Foto: Henrique Arakaki)

O que diz a proposta?

Se a proposta for aprovada, o candidato poderá escolher como se preparar para os exames técnicos e práticos, que continuam obrigatórios. Atualmente, são exigidas 45 horas de aulas teóricas e 20 horas de aulas práticas.

Conforme a projeção do Governo Federal, o custo para obtenção da CNH reduziria em até 80%. O Ministério dos Transportes abriu consulta pública sobre as regras para a obtenção da CNH na última quinta-feira (2).

 

Fonte: Midiamax