Confiança dos empresários de MS recua, mas preparação para dezembro deve alavancar contratações

A pesquisa indica que as expectativas dos empresários, embora em desaceleração, permanecem positivas para os próximos meses

Confiança dos empresários de MS recua, mas preparação para dezembro deve alavancar contratações
Imagem ilustrativa do Centro de Campo Grande. (Nathalia Alcântara, Jornal Midiamax)

A confiança dos empresários do comércio em recuou para 90,4 pontos em outubro de 2026, uma queda de 1,4% sobre o mês anterior e de 11,3% na base anual. Com isso, a Capital completa 11 meses seguidos abaixo da linha de 100 pontos, que divide o parâmetro de otimismo e de pessimismo. Os dados são da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), com análise do IPF-MS (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS).

Os dados acompanham o cenário nacional. No Brasil, o Icec (Índice de Confiança do Empresário do Comércio) recuou de 100,2 para 98,0 pontos em outubro, uma retração de 2,2%, retornando à zona de pessimismo após três meses acima da linha dos 100 pontos. Ou seja, a confiança do empresário de Campo Grande está 7,6 pontos abaixo da média nacional.

A pesquisa indica que as expectativas dos empresários, embora em desaceleração, permanecem positivas para os próximos meses. O índice registrou 115,6 pontos, mantendo-se na faixa de otimismo, apesar da redução de 2,2% em relação ao mês anterior e de 12,6% na comparação anual.

Contratação de novos funcionários

Segundo o levantamento, o maior nível de confiança está relacionado ao desempenho dos próprios negócios. O indicador de expectativa das empresas comerciais alcançou 134,3 pontos, com 74,3% dos entrevistados acreditando na melhora dos resultados. Já a expectativa para o comércio em geral atingiu 114,1 pontos, com 63,2% prevendo um cenário mais favorável para o setor.

Por outro lado, a percepção sobre a economia brasileira segue mais cautelosa. O índice de expectativa para a economia ficou em 98,5 pontos, abaixo da linha de otimismo. Os resultados mostram um empresariado dividido, em que 52,6% acreditam em uma melhora da economia, enquanto 47,4% esperam uma piora no cenário nacional.

Entre os componentes do Icec, um dos destaques positivos continua sendo a intenção de contratação de funcionários. O indicador alcançou 115,4 pontos e manteve-se praticamente estável se comparado a setembro. A pesquisa aponta que 60,8% dos empresários pretendem ampliar o quadro de pessoal nos próximos meses, devido à preparação do comércio para o aumento das vendas de fim de ano.

Em contrapartida, os investimentos seguem mais moderados. O IIEC (Índice de Investimento do Empresário do Comércio) ficou em 99,0 pontos, ligeiramente abaixo do registrado em setembro e 6% inferior ao observado no mesmo período de 2025. O nível de investimento das empresas chegou a 88,3 pontos. Assim, 56,3% dos empresários têm a intenção de investir menos, enquanto 43,7% projetam ampliar seus investimentos.

Estoques das empresas

Em relação aos estoques, 60,6% dos empresários consideram os níveis adequados, enquanto 22,8% avaliam que estão acima do ideal e 16,2% afirmam que estão abaixo do necessário. O indicador fechou em 93,4 pontos.

A análise por segmento aponta comportamentos distintos entre as atividades do comércio. O setor de semiduráveis — que engloba vestuário, calçados, acessórios e produtos similares — foi o único a permanecer acima dos 100 pontos em Campo Grande, registrando 100,7 pontos e um crescimento de 5,2% em relação ao mês anterior.

Os segmentos de bens não duráveis, como supermercados, farmácias e itens de consumo corrente, apresentaram o menor nível de confiança da Capital (84,9 pontos), enquanto o comércio de bens duráveis registrou 89,3 pontos. Ambos permanecem na faixa de pessimismo.

A pesquisa também aponta diferenças conforme o porte das empresas. Os negócios com até 50 empregados registraram 90,5 pontos, enquanto aqueles com mais de 50 funcionários atingiram 86,7 pontos. O resultado contrasta com o cenário nacional, em que as empresas de maior porte apresentam níveis de confiança superiores aos das menores.

Os indicadores que avaliam as condições atuais da economia, do setor e das próprias empresas continuam abaixo dos 100 pontos. O Icaec (Índice de Condições Atuais do Empresário do Comércio) ficou em 56,5 pontos, o que indica cautela diante dos desafios econômicos e do ritmo de recuperação do consumo.

 

Fonte: Jornal Midiamax